segunda-feira, 14 de julho de 2008

Livro: Leões de Bagdá


Em abril de 2003, pouco depois de os soldados norte-americanos invadirem Bagdá, um grupo de quatro leões famintos escapou do abandonado e bombardeado zoológico da cidade para procurar comida nas ruínas do ex-império de Saddam.


A história deles é o tema da HQ "Os Leões de Bagdá", escrito pelo premiado Brian K. Vaughan, e é baseada em diversos acontecimentos reais, como a Guerra do Iraque, no entanto contada inteiramente do ponto de vista dos animais (que falam), quase sem participação de humanos. Segundo Vaughan, escrever sob a perspectiva dos animais ''transcedem raça, credo e nacionalidade''. Ele também se valeu da velha tradição das Hqs de dar características humanas aos bichos. "Eu queria experimentar essa técnica e também estava ansioso por escrever algo que expressasse meus sentimentos conflitantes sobre a Guerra do Iraque. Quando li reportagens sobre a fuga dos leões, achei o ponto de partida para a história que eu queria contar.''


Os protagonistas de "Pride of Baghdad" (o duplo sentido do título original se perde em português - ''pride'' é o coletivo de leão, mas também significa orgulho) são o macho alfa Zill, a velha leoa Safa, a jovem Noor e seu filhote, Ali. Vaughan dá aos leões características representativas dos diversos tipos humanos e das diversas mentalidades envolvidas em uma guerra de ocupação, como a do Iraque.


Zill, o leão adulto, é um ''oportunista benevolente'', que até sente saudade da liberdade, mas que aceita viver sob qualquer tipo de ''governo'', desde que sua família seja bem alimentada. Noor é a rebelde que quer conquistar sua própria liberdade, em vez de ser liberta por alguma força externa. Safa é a idosa com memórias vivas das dificuldades e dos perigos do passado, que prefere trocar parte da sua liberdade por segurança, enquanro Ali é o jovem inexperiente, que só conheceu a vida no zôo.


Pode-se dizer que a obra é uma fábula em quadrinhos. Curta narrativa que tem entre os personagens animais que agem como seres humanos e que ilustra um preceito moral. E ainda é ilustrado, com desenhos de Niko Henrichon. A história de leões que, de uma hora pra outra, vêem-se livres do zoológico, eles que sempre estiveram presos, dividem-se sobre sua nova condição. Mas quem seriam os Leões de Bagdá, com suas dúvidas, seus medos e orgulhos? Seria uma metáfora do povo iraquiano, que se viu fora das grades com a chegada dos EUA? Ou seria algo maior, falando de todos nós, seres humanos complexos? Algumas fábulas prescindem de manual de interpretação: basta lê-las ou ouvi-las e senti-las.




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sábado, 28 de junho de 2008

Você viu?


Casal luta na Justiça para que os filhos só estudem em casa


Um casal do interior de Minas Gerais luta na Justiça pelo direito de ensinar seus filhos em casa. Adeptos do ''homeschooling'' (ensino domiciliar), movimento popular nos Estados Unidos e Inglaterra, eles tiraram os filhos da escola há dois anos, o que é proibido pela legislação brasileira. Eles atribuem a decisão à má qualidade do ensino do país.

Por essa decisão, os pais respondem a processos nas áreas cível e criminal - se condenados, podem perder a guarda dos filhos. Estes, garantiram na audiência que não foram obrigados pelos pais a deixarem a escola. Uma avaliação socioeducacional dos meninos será feita por peritos, à pedido do juiz.

Para demonstrar que o ensino em casa é eficiente, o responsável pelos garotos diz ter incentivado os filhos a prestar o vestibular na Fadipa (Faculdade de Direito de Ipatinga), faculdade particular da região. Eles foram aprovados em 7º e 13º lugar. O resultado virou peça de defesa no processo. O rotina de estudo é puxada. Às 7h começa com a leitura bíblica e durante as aulas, é ensinado retórica, dialética e gramática, aritmética, geometria, astronomia e música, além do estudo de duas línguas estrangeiras: inglês e hebraico. Ao todo, estudam seis horas por dia.

De acordo com o Conselho Nacional de Educação e o Ministério da Educação, a escola vai muito além do ensino porque possibilita à criança e ao jovem a convivência com um grupo social diferente do grupo que é a família. A família mineira contra-argumenta dizendo que os filhos têm muitos amigos.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Obama


Ele foi classificado como "a grande esperança dos brancos" pela mídia americana, ao incorporar o sonho de reconciliação e ao se colocar acima das divisões raciais do país. Barack Obama é negro, filho de muçulmano e ainda tem Hussein como sobrenome. Aspectos que assustariam qualquer eleitor americano na atual conjuntura, mostra que os Estados Unidos quebraram um tabu de séculos ao escolher o primeiro negro para concorrer à sua Presidência.
Diferentemente de Hillary Clinton, que não parava de evocar o "marco histórico" caso fosse eleita como a primeira mulher presidente do país, Obama raramente mencionava a diferença de cor em seus discursos. Agora está sendo vendido um button (foto acima) nas convenções do Partido Republicano que diz: Se Obama for presidente, ainda chamaremos de Casa Branca?
Trágico!

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Perca um livro


Você está no ônibus, caminhando no Horto do Fonseca ou assistindo à um filme no cinema, quando encontra um livro perdido. Não se surpreenda, pois ele foi perdido de propósito. O inusitado incentivo à leitura, criado nso Estados Unidos com o nome de Bookcrossing, funciona da seguinte maneira:

1. Leia um bom livro;
2. Cadastre o livro e escreva seus comentários para pegar seu código único e a etiqueta correspondente ao livro no site http://www.livr.us/;
3. "Perca" o livro em um local público.

A idéia de perder um livro para ser achado por outra pessoa não é nova. Há alguns anos existe o Bookcrossing que tem por objetivo transformar o mundo inteiro numa biblioteca. Os membros dessa comunidade possuem um sentimento de partilha tão grande que não se importam de deixar os seus livros em locais públicos como cafés, praças, shoppings, em vez de os manteram parados na estante. O conceito foi até parar no Concise Oxford English Dictionary:

Bookcrossing n. the practice of leaving a book in a public place to be picked up and read by others, who then do likewise. (A prática de deixar um livro em um lugar público para ser pego e lido por outros, que fazem o mesmo).

No Brasil, no entanto, a idéia nunca pegou. A grande maioria dos livros do Bookcrossing são em inglês, os brasileiros não têm o hábito de ler, e aqueles que gostam, talvez hesitariam de passar o livro adiante, e nem todos tem internet para informar o código de rastreamento - alguns livros ficariam perdidos pra sempre.

Apesar disso tudo, A agência ESPALHE quer provar que o bookcrossing pode virar fenômeno por aqui sim. Para o pontapé inicial, a editora Zeiz ''perdeu'' por aí 150 exemplares do livro A Unidade dos Seis - O Herdeiro Especial. Quem encontrar o exemplar é convidado a cadastrá-lo no site Perca um Livro, lê-lo e perdê-lo novamente.

Que o caça tesouro comece, e não esqueça de o perder!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

É proibido fumar


Entra em vigor, a partir do dia 31 deste mês, o decreto que proíbe fumar em qualquer ambiente coletivo fechado no município do Rio. A atual lei federal também proíbe o uso de cigarros, charutos ou cachimbos em recintos fechados coletivos, mas abre brecha em áreas específicas reservadas para fumantes. No decreto municipal, não há essa exceção.

Pela nova legislação da prefeitura, os únicos ambientes onde será permitido o fumo são aqueles que ficam ao ar livre, como varandas e terraços. Qual o argumento para tal mudança? Além de se tratar de uma questão de saúde pública, já que estudos mostram que os fumantes passivos também estão sujeitos aos malefícios do fumo, a prefeitura argumenta que a restrição aos fumódromos vai facilitar a fiscalização por parte do poder público. Eles pensaram também na preservação da saúde daqueles que trabalham em locais fechados, como garçons que ficam horas expostos à fumaça e que, diferentemente de um cliente, não têm a opção de ficar apenas na área de não-fumantes.

A lei carioca define como recinto fechado, por exemplo, locais com janelas, mesmo que estejam abertas. Ela inclui nessa definição saguões, halls, escadas, rampas ou corredores ''destinados à utilização simultânea de várias pessoas''. O cerco aos fumantes em locais fechados vem aumentando em vários países. A França, neste ano, proibiu o fumo em todos os bares, restaurantes, discotecas e cassinos do país.

Os estabelecimentos que descumprirem a regra ou o próprio fumante podem receber multas de até R$ 2 mil à R$ 1,5 milhão.

Qual é sua opinião? Responda à enquente.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Brasil e o grau de investimento.


O fato do Brasil ter ingressado no seleto clube dos países de primeira classe como destino de investimentos tem sido destaque nos mais importantes jornais brasileiros e na imprensa internacional. Mas o que vem a ser o investment grade (grau de investimento), a Standard & Poor's e quais as consequências dessa conquista para a economia do país?

O grau de investimento é uma classificação dada a um país a partir de uma avaliação concedida pelas principais agências de notas de crédito, como a Fitch Ratings, a Moody's e a Standard & Poor's. Em outras palavras, ele serve como um selo de qualidade conferido a países e empresas que têm um histórico de administração confiável e que honram plenamente os compromissos de suas dívidas (nada de calotes!).

Trata-se de um momento histórico. Em meio a crise financeira que atola o mundo - os Estados Unidos estão beirando a recessão e há uma onda de instabilidades com o aumento dos preços dos alimentos básicos - o Brasil conquista um dos mais elevados grau de investimento, de BB+ a BBB-, o que o coloca em condições de se lançar num longo processo de desenvolvimento.

Segundo a Standard & Poor's, o Brasil tem um histórico de políticas econômicas responsáveis, baixo endividamento externo e trajetória de queda da dívida pública. Com a promoção, os maiores fundos de investimento mundiais podem agora serem aplicados diretamente no Brasil e em suas empresas. Isto significa que os recursos externos para financiar projetos estarão mais disponíveis. Dizem que haverá mais empregos, que as taxas de juros para o financiamento da casa própria e de bens de consumo, como automóveis, irão cair. Só nos resta esperar.

sábado, 3 de maio de 2008

Um filme BASEADO em fatos reais.

O diretor Morgan Spurlock lançou, em 2004, um documentário onde analisa a cultura do fast food nos Estados Unidos, se submetendo a uma experiência: fazer as três refeições do dia, durante um mês, em lanchonetes da rede McDonalds. Ele mostrou os efeitos físicos e mentais que os alimentos deste tipo de restaurante provocam.

A idéia de rodar Super Size Me surgiu durante o jantar de Ação de Graças, quando viu na TV uma matéria jornalística sobre duas garotas que estavam processando o McDonalds por torná-las obesas.

Assumidamente inspirado no filme de Spurlock, o comediante Doug Benson faz um teste parecido em Super High Me (ainda inédito por aqui), só que ao invés de comida, Benson exagera é na maconha. O documentário visa mostrar os efeitos que a cannabis pode causar no sujeito que a fuma 24h/dia. Ele entrevista ativistas pró-legalização, donos de farmácias, políticos e pacientes que clamam o uso da planta em seus tratamentos médicos.

Apesar de o filme misturar sátira e comédia, a questão da maconha no Brasil está longe de ser engraçada. Acontece amanhã, as 14h no Arpoador, a Marcha da Maconha que traz à tona um velho debate sobre os benefícios e malefícios decorrentes da legalização da droga no país. A passeata estava prevista para acontecer em dez estados, mas mesmo antes de acontecer, a Marcha tem gerado muita polêmica.

No Rio de Janeiro, cinco estudantes foram presos por estarem divulgando o evento, apesar do estado ter a realização do evento garantida. Em outras cidades como Salvador, João Pessoa, Cuiabá, Curitiba e Brasília, a manifestação foi proibida. O ato é apoiado por pessoas influentes também, como políticos e celebridades que já se manifestaram a favor da legalização ou demonstraram algum tipo de apoio.

O site oficial da Marcha dispõe o download de caricaturas desses famosos que incluem o ministro da cultura Gilberto Gil, Luana Piovani, Chico Buarque e Marcelo D2, para ilustrar as máscaras que podem ser usadas durante a passeata. Muito mais que tentar persuadir a opinião pública mostrando o rosto de famosos que abraçaram a causa, a máscara tem a sua função: esconder a identidade dos usuários para evitar retaliações e preconceitos na família e no trabalho.

Em resposta a Marcha, acontece em Copacabana no mesmo dia, a Caminhada Rio em Defesa da Família, também chamada de Marcha contra a Maconha.