quinta-feira, 10 de abril de 2008

Crédito ou débito?

Opinião
Como de costume, foi durante o meu horário de almoço que corri para a banca mais próxima do Tower para dar uma olhada nas manchetes dos principais jornais do estado. Não satisfeito, me vi obrigado a comprar a Veja dessa semana, cuja matéria de capa traz uma investigação minuciosa a respeito da perversidade humana com as crianças. Mas o que me chamou mais a atenção foi a seção Radar, com uma pequena nota intitulada Dízimo eletrônico. E como um déjà vu do que em seguida eu iria acabar de ler, a primeira coisa que meu veio a cabeça foi uma sigla: IURD.



Há algumas décadas, uma teologia importada dos EUA chegava no Brasil e pregava prosperidade ampla, geral e irrestrita aos seus devotos. Para alcançar as massas populares, foi apenas uma questão de tempo. Depois de 30 anos, a Teologia da Prosperidade (adotada pela Igreja Universal do Reino de Deus, Renascer em Cristo, Adhonep e entre outras) permanece no país com longevidade, porém dividindo opiniões.
A relação entre o homem e Deus está cada vez mais deturpada com valores terrenos e materiais. As pessoas são atraídas às igrejas para satisfazerem os seus prazeres, ficarem ricas, serem curadas e terem os seus problemas solucionados. Conseqüência de promessas de uma teologia antropocêntrica que, quando se faz uma pesquisa e as regras da exegese e da hermenêutica são respeitadas, percebe-se a falta de respaldo bíblico.
Vale a pena ressaltar que o problema não está na prosperidade, mas nessa teologia. Quando o foco do crente passa a ser “morar em mansões, ter o carro do ano, muito dinheiro e nunca ficar doente” e nada disso acontece, é porque ele está sem fé, em pecado ou desviando o dízimo para outros fins. Ora, se formos avaliar a vida uma pessoa pela casa onde mora ou pelo saldo bancário, teríamos que concluir muitos jogadores de futebol e artístas têm uma comunhão com Deus fora do comum.
Atualmente, as pessoas funcionam na base da emoção, e não da reflexão. Soma-se a isso, o apoio da mídia – instrumento que muitas igrejas neopentecostais sabem trabalhar muito bem. O que se vê é um progresso com a quantidade de pessoas convertidas ao Protestantismo, e no entanto o país parece regredir com casos de violência, guerras entre facções criminosas e corrupção. Que evangelho é esse que não afeta a sociedade?
E assim, milhares de pessoas se decepcionam com Deus, quando na verdade, a culpa é do próprio homem que tenta negociar o que é inegociável para Deus.
De acordo com o site relatoriobancario.com.br, uma igreja americana do Estado da Geórgia implantou caixas automáticos que aceitam o cartão de débito ou de crédito dos fiéis para pagamento de dízimos e ofertas. O pastor responsável disse quando precisou arrecadar dinheiro para construir um anexo, percebeu que os fiéis não carregavam dinheiro na carteira e sim um cartão de crédito. Parece que a moda pegou por aqui também.
A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) fez recentemente uma megacompra daquelas máquinas de passar cartões e foi instituído pelo bispo Macedo o dízimo eletrônico nos cultos. Claro, tudo isso para o nosso bem-estar e maior comodidade, quer dizer, de seus fiéis.

5 comentários:

Unknown disse...

Marcos excelente matéria. Esse dias estava vendo televisão e repentinamente passei por um canal onde uma igreja dessas que vc citou usa para falar mais de dinheiro, do que de Deus. Fiquei apavorado com a cara de pau da pessoa que se diz lider de uma congregação, pedindo dinheiro abertamente, e dizendo que o pacote para um certo serviço espiritual custava apenas 350 reais, e que ainda podia ser pago em cartão de crédito ou débito. Fico profundamente decepicionado quando ouço isso, a igreja protestante que anteriomente havia sido criado para acabar com a venda de indulgências da igraja católica, entre outras coisa, vê sua imagem manchada e depredada por alguns "centros" que se dizem ser igrejas. Eles só não mencionam que além de igrejas eles são também bancos, industrias, casas de aposta, comércios, etc. Bom é isso ... vc pediu pra comentar to comentando, excelente matéria mesmo, parabéns!

Anônimo disse...

Acho essa questão critica...Porque quando lutero fundou a igreja protestante...era pra protestar por coisas que ele não era a favor na igreja católica, mais cada dia que se passa vejo q não tem diferença nenhuma entre as duas...Algumas falam que o dinheiro e pra comodidade das pessoas...coisas que no tempo de Jesus não precisava...Ninguém ia a igreja por causa do ar-condicionado ou banco acoxoado, Na verdade tbm temos culpa nisso...Mais temos q realmente começar a pensar pq existe a igreja protestante no mundo!!!


Amor adorei a materia...você é excelente

TE AMOO

Israel Santos disse...

Outra matéria muito boa e, pode-se dizer, um pouco triste!
Bem, só pra completar, vou dar um exemplo do que eu escutei hoje na rádio!

Uma dessas igrejas comentadas na matéria tem um programa de rádio, e a propagando da igreja era:
" Venha para a corrente de oração, aqui iremos orar por essa epidemia de dengue que está atacando nosso país...", até ai tudo ok, mas olha o resto....
"...aproveite esse receba inteiramente de graça, lonas para cobrir suas caixas d'agua ( coisa que a prefeitura faz no centro do Rio desde que começou essa epidemia), ao receber sua lona compre o óleo sagrado para você ficar imune ao mosquito da dengue, e junto ao óleo venha assistir nossas reunioes e se torne membro!"

Escrevi aqui só um exemplo para mostrar como as coisas estão, como a religião agora está sendo vendida, isso é triste pois quando uma igreja "crente" faz isso todos nós que seguimos a doutrina protestante somos afetados. Temos que abrir nossos olhos para nao nos encantarmos com essas coisas! Através da mídia, como o Marcos bem disse, as pessoas deixam tudo mais "bonitinho", temos que tomar muito cuidado!

Anne Araújo disse...

Na verdade não tive muita paciência pra ler a matéria tooooda. Mas li! E no que li ñ fico nem um pouco espantanda né.. uma vez que não é novidade nenhuma o comportamento da IURD e de outras. Atualmente qualquer pessoa pode se autodenominar PASTOR e abrir uma igreja se dizendo protestante e pra quê?! Pra ganhar dinehiro..
É uma vergonha muito grande e uma pena maior ainda pois acaba manchando o nome das outras.
Sou católica e sei que protestantes nos vêem de maneira um pouco torta, assim como vemos muitos protestantes de determinadas igrejas.

Excelente matéria!!

Taynée Mendes disse...

era só o que faltava... o pastor no meio do culto perguntar ao seu rebanho acovardado "crédito ou débito?".... é o fim do mundo!

mt bom seu blog, é a sua cara...
bjs