"Surto de dengue mostra o lado sombrio do Rio de Janeiro" diz a manchete da reportagem que saiu, nesta segunda-feira, no jornal Los Angeles Times.Como mostra a matéria, a epidemia tem colocado a cidade maravilhosa na mídia internacional e chamado a atenção para a despreparo do Governo frente ao surto que, cada vez mais, tem matado gente. A ultima vítima foi um adolescente alagoano de 17 anos, que morreu de dengue hemorrágica hoje.
Em seguida, a tradução (feita para você) da resportagem americana, que tambem pode ser conferida em inglês no link ao lado: http://www.latimes.com/news/nationworld/world/la-fg-dengue21apr21,1,5024694.story
Bom começo de semana,
Marcos Oliveira.
O Brasil está crescendo. A moeda está subindo, as pessoas estão comprando casas e carros em ritmo recorde e financiadores mundiais estão ansiosos para investir. O país parece estar excitado para adquirir o status de Primeiro Mundo.
Moradores, no entanto, dessa auto-proclamada cidade maravilhosa estão preocupados e irritados com uma aflição de Terceiro Mundo – a dengue, doença tropical que se espalha de forma epidêmica por aqui.
Na sexta, oficiais da saúde disseram que a dengue matou, no mínimo, 87 pessoas no estado do Rio este ano e doentes passam de 93.000. A maioria dos casos ocorre aqui na cidade, principal atração turística. Crianças de até 15 anos têm sido as mais atingidas, somando quase que metade dos óbitos, de acordo com os oficiais.
A dengue se tornou um flagelo anual no Brasil, mas a epidemia deste ano parece ser a mais mortal ultimamente.
Melhor do que culpar o mosquito-listrado Aedes aegypt que espalha o mal, os cariocas, como os moradores do Rio são chamados, estão atacando o que chamariam de uma resposta tardia e confusa do governo. As críticas dizem que os oficiais demoraram a fumigar e tomar outras ações durante o verão, época em que chuvas propiciam um ambiente ideal para as larvas.
“A epidemia é responsabilidade total das autoridades local e nacional” disse Edna Rollin, 58 anos, uma professora de História que expressou mesmo sentimento de muitos entrevistados no centro da Cinelandia. “Eles param de fumegar no verão e agora estamos pagandos as conseqüências”.
Autoridades se acusam mutuamente com um jogo de acusações similar ao que aconteceu em Nova Orleans com o furacão Katrina – o qual atingiu os mais pobres e expôs o lado sombrio de uma merca do turismo internacional.
Com o número de casos aumentando e clinicas sobrecarregadas, autoridades juntaram neste mês, tardiamente, mais de 1.000 soldados à bombeiros, voluntários e outros para patrulhar ruas e inspecionar milhares de casas em uma ofensiva muito publicada. Os grupos destroem os focos do mosquito, como água parada.
Esquadrões anti-dengue estão se concentrando em favelas onde muitos vivem em condições sanitárias de baixo padrão. Governador do Rio, Sergio Cabral, declarou: “Devemos lutar contra a dengue da mesma forma que não podemos tolerar a ocupação das favelas por traficantes”.
A epidemia da dengue, como a guerra entre policias e traficantes nas favelas, se tornou uma mancha na imagem glamourosa do Rio. Alguns acusam o governo de encobrir a dengue para evitar assustar os turistas.
Há indícios de que as ocupações dos Hotéis estão menores, mas não houve cancelamentos em massa. Em hotéis de renome, no aeroporto internacional e em pontos turísticos como Pão de Açúcar e Corcovado, poucas placas advertem os visitantes sobre a ameaça da dengue.
Mas a verdade foi revelada. Os EUA e outras embaixadas aconselharam visitantes a tomarem precauções, como vestir blusas de manga comprida e evitar shorts.
O debate quente sobre a dengue revelou mais uma vez o abismo entre ricos e pobres em uma nação conhecida pela desigualdade social. Moradores de áreas mais pobres reclamam que foram esquecidos, até pouco tempo.
“Estou aterrorizada que meu filho possa ficar doente” disse Graciela Kauan, 16, segurando o filho de 8 meses nos braços no centro da Cinelandia. “Eu passo repelente toda noite e ele dorme sob uma rede contra mosquito”.
A febre da dengue, doença viral transmitida pelos mosquitos, se parece com a gripe que não fatal. No entanto, médicos estão preocupados com uma variante mais fatal que pode estar se espalhando por aqui e perto do Paraguai, onde enfrenta também a mesma crise.
Não há vacina contra a Dengue. O tratamento, geralmente, envolve descanso e ingestão de líquidos.
De acordo com a Organização de Saúde Pan-Americana, os mosquitos da dengue se espalharam pelos trópicos mundialmente graças a fatores como a rápida urbanização, falta de sanitarização e o aumento do uso de recipientes de plástico, que contribuem para o foco do mosquito. Alguns estudiosos dizem que a mudança de clima também pode ter ajudado a aumentar os casos.
Embora tenham dito que a epidemia chegou no máximo, autoridades acrescentam que os casos só devem terminar em Junho ou Junho, com a chegada do frio, tempo mais seco.
Estudiosos esperam que este estouro no caso da dengue induza uma intervenção mais cedo nos próximos anos.
“Havia evidencia de risco de epidemia há muito tempo” Luiz Pinguelli Rosa, um expert da UFRJ disse a Agencia Brasil serviço de noticias. “Se as recentes medidas tivessem sido tomadas há 2 meses, a situação estaria melhor, tanto na luta contra os mosquitos quanto no cuidado dos infectados”.


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