Domingo, 13 de setembro de 1987.Dois catadores de lixo vasculhavam as antigas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia, no centro de Goiânia. Roberto dos Santos e Wagner Mota encontraram um aparelho de radioterapia e o levaram até a casa de um deles com a ajuda de um carrinho de mão. Eles queriam apenas vender as partes de metal e chumbo em ferros-velho da cidade, desconhecendo o que era aquela peça de 100 quilos. Durante a desmontagem do aparelho, foram expostos ao ambiente 19,26 g de cloreto de césio-137 (CsCL), pó branco semelhante ao sal de cozinha que, no entanto, brilha no escuro com uma coloração azulada.
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Após cinco dias, a peça foi vendida a um proprietário de um ferro-velho, o qual se encantou com o brilho azul emitido pela substância. Crendo estar diante de algo sobrenatural, Devair Alves Ferreira passou a receber amigos e curiosos interessados em conhecer o pó mágico. Muitos levaram para suas casas pedrinhas da substância e parte do equipamento de radioterapia foi parar em outro ferro-velho, o que gerou uma enorme contaminação com o material radioativo. O suficiente para ser o maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo ocorrido fora de usinas nucleares.
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Com 20 anos de atraso, o governo reconheceu semana passada 199 vítimas do acidente com o Césio 137. O governador Alcides Rodrigues assinou o decreto, concedendo pensão vitalícia de R$ 480 às vítimas. Desde 2002, que o benefício era reivindicado por 860 pessoas que trabalharam diretamente ou indiretamente para o governo na época do ocorrido. “A partir de agora, muitos dos que ficaram com problemas físicos e psicológicos terão condições financeiras para comprar medicamentos”.
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Enquanto as vítimas do Césio irão amargar com pouco mais de um salário mínimo, os cartunistas Jaguar e Ziraldo terão uma pensão mensal vitalícia de 4000 reais mais os atrasados retroativos a 1988 de 1 milhão de reais – para cada um. A legislação em vigor lhes garante compensações pelos inegáveis danos que sofreram durante os anos da ditadura militar. O que causou espanto foi saber que a conta seria paga pelos brasileiros. No entanto, alguns anistiados como César Benjamin e Fernando Gabeira não pediram um centavo por isso. Gabeira afirma: “O direito à indenizações deveria se restringir aos casos de comprovado e irreparável prejuízo”. Millôr Fernandes, jornalista, contribui: “Eu estava pensando que eles estavam defendendo uma ideologia, mas estavam fazendo um investimento”.





