segunda-feira, 28 de abril de 2008

Dois pesos, duas medidas.

Domingo, 13 de setembro de 1987.
Dois catadores de lixo vasculhavam as antigas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia, no centro de Goiânia. Roberto dos Santos e Wagner Mota encontraram um aparelho de radioterapia e o levaram até a casa de um deles com a ajuda de um carrinho de mão. Eles queriam apenas vender as partes de metal e chumbo em ferros-velho da cidade, desconhecendo o que era aquela peça de 100 quilos. Durante a desmontagem do aparelho, foram expostos ao ambiente 19,26 g de cloreto de césio-137 (CsCL), pó branco semelhante ao sal de cozinha que, no entanto, brilha no escuro com uma coloração azulada.
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Após cinco dias, a peça foi vendida a um proprietário de um ferro-velho, o qual se encantou com o brilho azul emitido pela substância. Crendo estar diante de algo sobrenatural, Devair Alves Ferreira passou a receber amigos e curiosos interessados em conhecer o pó mágico. Muitos levaram para suas casas pedrinhas da substância e parte do equipamento de radioterapia foi parar em outro ferro-velho, o que gerou uma enorme contaminação com o material radioativo. O suficiente para ser o maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo ocorrido fora de usinas nucleares.
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Com 20 anos de atraso, o governo reconheceu semana passada 199 vítimas do acidente com o Césio 137. O governador Alcides Rodrigues assinou o decreto, concedendo pensão vitalícia de R$ 480 às vítimas. Desde 2002, que o benefício era reivindicado por 860 pessoas que trabalharam diretamente ou indiretamente para o governo na época do ocorrido. “A partir de agora, muitos dos que ficaram com problemas físicos e psicológicos terão condições financeiras para comprar medicamentos”.
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Enquanto as vítimas do Césio irão amargar com pouco mais de um salário mínimo, os cartunistas Jaguar e Ziraldo terão uma pensão mensal vitalícia de 4000 reais mais os atrasados retroativos a 1988 de 1 milhão de reais – para cada um. A legislação em vigor lhes garante compensações pelos inegáveis danos que sofreram durante os anos da ditadura militar. O que causou espanto foi saber que a conta seria paga pelos brasileiros. No entanto, alguns anistiados como César Benjamin e Fernando Gabeira não pediram um centavo por isso. Gabeira afirma: “O direito à indenizações deveria se restringir aos casos de comprovado e irreparável prejuízo”. Millôr Fernandes, jornalista, contribui: “Eu estava pensando que eles estavam defendendo uma ideologia, mas estavam fazendo um investimento”.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Por um ladrão mais culto!


Um juiz federal do Rio Grande do Norte determinou uma condição inédita para concender liberdade provisória a três jovens acusados de roubar senhas bancárias pela internet: a cada três meses, os rapazes terão que ler e resumir clássicos da literatura.

As primeiras obras escolhidas pelo juiz Mário Jambo, foram "A hora e a vez de Augusto Matraga'' e "Vidas Secas". Sobre a escolha das obras de Graciliano Ramos e Guimaraes Rosa, respectivamente, o juiz destacou o caráter educativo dos textos. O primeiro, narra a história de um fazendeiro violento e beberrão. Após quase morrer, resolve dedicar sua vida ao trabalho para pagar os pecados. Já o segundo, retrata a vida de pessoas que vivem no sertão brasileiro e o sacrifício delas para sobreviver.

Os três acusados foram liberados após nove meses presos por envolvimento na Operação Colossus - que investiga uma suposta quadrilha que roubava senhas bancárias pela internet - da Polícia Federal. Foram listadas 12 condições aos hackers, ao conceder a liberdade provisória, como não frequentar casas de prostiuição, lan houses e salas de bate papo virtual. Três condicionanetes se relacionam à educação dos acusados: frequentar instituição de ensino, comprovar presença e aproveitamento nas aulas, ler e resumir os textos indicados pelo magistrado.

Como os jovens são peritos em internet, o magistrado determinou que os relatórios sobre as obras deverão ser feitos pelos jovens de próprio punho, e com, no mínimo, dez laudas. E eles ainda poderão ser questionados sobre os livros em audiencias mensais.


Que tortura...

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Dengue Outbreak shows dark side of RJ

"Surto de dengue mostra o lado sombrio do Rio de Janeiro" diz a manchete da reportagem que saiu, nesta segunda-feira, no jornal Los Angeles Times.
Como mostra a matéria, a epidemia tem colocado a cidade maravilhosa na mídia internacional e chamado a atenção para a despreparo do Governo frente ao surto que, cada vez mais, tem matado gente. A ultima vítima foi um adolescente alagoano de 17 anos, que morreu de dengue hemorrágica hoje.
Em seguida, a tradução (feita para você) da resportagem americana, que tambem pode ser conferida em inglês no link ao lado: http://www.latimes.com/news/nationworld/world/la-fg-dengue21apr21,1,5024694.story
Bom começo de semana,
Marcos Oliveira.



O Brasil está crescendo. A moeda está subindo, as pessoas estão comprando casas e carros em ritmo recorde e financiadores mundiais estão ansiosos para investir. O país parece estar excitado para adquirir o status de Primeiro Mundo.
Moradores, no entanto, dessa auto-proclamada cidade maravilhosa estão preocupados e irritados com uma aflição de Terceiro Mundo – a dengue, doença tropical que se espalha de forma epidêmica por aqui.
Na sexta, oficiais da saúde disseram que a dengue matou, no mínimo, 87 pessoas no estado do Rio este ano e doentes passam de 93.000. A maioria dos casos ocorre aqui na cidade, principal atração turística. Crianças de até 15 anos têm sido as mais atingidas, somando quase que metade dos óbitos, de acordo com os oficiais.
A dengue se tornou um flagelo anual no Brasil, mas a epidemia deste ano parece ser a mais mortal ultimamente.
Melhor do que culpar o mosquito-listrado Aedes aegypt que espalha o mal, os cariocas, como os moradores do Rio são chamados, estão atacando o que chamariam de uma resposta tardia e confusa do governo. As críticas dizem que os oficiais demoraram a fumigar e tomar outras ações durante o verão, época em que chuvas propiciam um ambiente ideal para as larvas.
“A epidemia é responsabilidade total das autoridades local e nacional” disse Edna Rollin, 58 anos, uma professora de História que expressou mesmo sentimento de muitos entrevistados no centro da Cinelandia. “Eles param de fumegar no verão e agora estamos pagandos as conseqüências”.
Autoridades se acusam mutuamente com um jogo de acusações similar ao que aconteceu em Nova Orleans com o furacão Katrina – o qual atingiu os mais pobres e expôs o lado sombrio de uma merca do turismo internacional.
Com o número de casos aumentando e clinicas sobrecarregadas, autoridades juntaram neste mês, tardiamente, mais de 1.000 soldados à bombeiros, voluntários e outros para patrulhar ruas e inspecionar milhares de casas em uma ofensiva muito publicada. Os grupos destroem os focos do mosquito, como água parada.
Esquadrões anti-dengue estão se concentrando em favelas onde muitos vivem em condições sanitárias de baixo padrão. Governador do Rio, Sergio Cabral, declarou: “Devemos lutar contra a dengue da mesma forma que não podemos tolerar a ocupação das favelas por traficantes”.
A epidemia da dengue, como a guerra entre policias e traficantes nas favelas, se tornou uma mancha na imagem glamourosa do Rio. Alguns acusam o governo de encobrir a dengue para evitar assustar os turistas.
Há indícios de que as ocupações dos Hotéis estão menores, mas não houve cancelamentos em massa. Em hotéis de renome, no aeroporto internacional e em pontos turísticos como Pão de Açúcar e Corcovado, poucas placas advertem os visitantes sobre a ameaça da dengue.
Mas a verdade foi revelada. Os EUA e outras embaixadas aconselharam visitantes a tomarem precauções, como vestir blusas de manga comprida e evitar shorts.
O debate quente sobre a dengue revelou mais uma vez o abismo entre ricos e pobres em uma nação conhecida pela desigualdade social. Moradores de áreas mais pobres reclamam que foram esquecidos, até pouco tempo.
“Estou aterrorizada que meu filho possa ficar doente” disse Graciela Kauan, 16, segurando o filho de 8 meses nos braços no centro da Cinelandia. “Eu passo repelente toda noite e ele dorme sob uma rede contra mosquito”.
A febre da dengue, doença viral transmitida pelos mosquitos, se parece com a gripe que não fatal. No entanto, médicos estão preocupados com uma variante mais fatal que pode estar se espalhando por aqui e perto do Paraguai, onde enfrenta também a mesma crise.
Não há vacina contra a Dengue. O tratamento, geralmente, envolve descanso e ingestão de líquidos.
De acordo com a Organização de Saúde Pan-Americana, os mosquitos da dengue se espalharam pelos trópicos mundialmente graças a fatores como a rápida urbanização, falta de sanitarização e o aumento do uso de recipientes de plástico, que contribuem para o foco do mosquito. Alguns estudiosos dizem que a mudança de clima também pode ter ajudado a aumentar os casos.
Embora tenham dito que a epidemia chegou no máximo, autoridades acrescentam que os casos só devem terminar em Junho ou Junho, com a chegada do frio, tempo mais seco.
Estudiosos esperam que este estouro no caso da dengue induza uma intervenção mais cedo nos próximos anos.
“Havia evidencia de risco de epidemia há muito tempo” Luiz Pinguelli Rosa, um expert da UFRJ disse a Agencia Brasil serviço de noticias. “Se as recentes medidas tivessem sido tomadas há 2 meses, a situação estaria melhor, tanto na luta contra os mosquitos quanto no cuidado dos infectados”.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Made in China

Em meio a críticas, protestos organizados pelo mundo todo e com a possibilidade de um boicote aos Jogos Olímpicos deste ano, a China não mede esforços na busca da perfeição do evento. Os Jogos de Pequim serão os mais caros da história, gastando 10 vezes mais do que a cidade de Atenas investiu em infra-estrutura para os Jogos de 2004. As autoridades falam de “uma oportunidade única” para que o país exiba sua capital modernizada e seus avanços econômicos e culturais. Para Dalai Lama, líder pacifista tibetano, é oportunidade para o mundo lembrar a China da necessidade de se respeitar os direitos humanos.

A ascensão da China moderna se reflete nas construções de estilo futurista erguidas, aparentemente, da noite pro dia. Quando os Jogos Olímpicos começarem, dentro de quatro meses, a capital chinesa também contará com um novo terminal, transporte subterrâneo, um trem de alta velocidade em seu aeroporto internacional e onze instalações esportivas de nível mundial. Pequim também quer descontaminar seu meio ambiente e agilizar o transito, tarefa que vai lhe custar mais alguns milhões. A modernização, no entanto, não é para o bem-estar de todos.

De acordo com o *Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos (COHRE), pelo menos 15 milhões de pessoas foram despejadas para dar lugar a renovação de Pequim, muitos deles à força. As autoridades locais estão preocupados em erradicar os hábitos dos chineses de cuspir, xingar, furar filas e jogar lixo no chão (bem diferente dos brasileiros), pois essas atitudes prejudicariam a imagem do país. Diferente de edifícios e estádios, mudar uma cultura que já está arraigada na sociedade não é uma tarefa feita repentinamente.

Enquanto a China trabalha na construção de uma sociedade próspera (e educada), o país mais populoso do mundo é alvo de acusações de atentados contra os direitos humanos, de liberdade de imprensa e da independência do Tibet. A Anistia Internacional afirma que opositores ainda são perseguidos de forma implacável e, quando presos, são submetidos à tortura. Há ainda campos de trabalhos forçados e alto índice de trabalho infantil. A mídia no país jamais tem autonomia para questionar o poder do Partido Comunista. Recentemente, a repressão chinesa ao Tibet tem sido duramente criticada e, cada vez mais, pessoas se engajam na luta “FREE TIBET” com protestos aonde quer que a tocha olímpica passe.

A atual polêmica envolvendo os Jogos de Pequim não é a primeira, nem a mais grave da história do evento. Os Jogos Olímpicos já serviram de palco para varias manifestações políticas, como o fato de Adolf Hitler não ter ficado para a premiação do atleta norte-americano negro Jessé Owens ou o boicote dos EUA aos Jogos de Moscou (1980) em pleno contexto da Guerra Fria, por exemplo.

A China vive em constante transição: há décadas, a sociedade se movimenta entre as tradições e princípios dos antepassados e os desafios do futuro. Se avançou em muitos aspectos, em dezenas de outros pontos a sociedade chinesa continua bastante parecida à que viu Mao Tsé-Tung assumir o poder. Dizem que os Jogos contribuirão no processo de democratização do país, mesmo que a longo prazo. Pode até ser utópico, mas que a China está mudando, ela está.


*Centre on Housing Rights And Eviction - http://www.cohre.org/

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Crédito ou débito?

Opinião
Como de costume, foi durante o meu horário de almoço que corri para a banca mais próxima do Tower para dar uma olhada nas manchetes dos principais jornais do estado. Não satisfeito, me vi obrigado a comprar a Veja dessa semana, cuja matéria de capa traz uma investigação minuciosa a respeito da perversidade humana com as crianças. Mas o que me chamou mais a atenção foi a seção Radar, com uma pequena nota intitulada Dízimo eletrônico. E como um déjà vu do que em seguida eu iria acabar de ler, a primeira coisa que meu veio a cabeça foi uma sigla: IURD.



Há algumas décadas, uma teologia importada dos EUA chegava no Brasil e pregava prosperidade ampla, geral e irrestrita aos seus devotos. Para alcançar as massas populares, foi apenas uma questão de tempo. Depois de 30 anos, a Teologia da Prosperidade (adotada pela Igreja Universal do Reino de Deus, Renascer em Cristo, Adhonep e entre outras) permanece no país com longevidade, porém dividindo opiniões.
A relação entre o homem e Deus está cada vez mais deturpada com valores terrenos e materiais. As pessoas são atraídas às igrejas para satisfazerem os seus prazeres, ficarem ricas, serem curadas e terem os seus problemas solucionados. Conseqüência de promessas de uma teologia antropocêntrica que, quando se faz uma pesquisa e as regras da exegese e da hermenêutica são respeitadas, percebe-se a falta de respaldo bíblico.
Vale a pena ressaltar que o problema não está na prosperidade, mas nessa teologia. Quando o foco do crente passa a ser “morar em mansões, ter o carro do ano, muito dinheiro e nunca ficar doente” e nada disso acontece, é porque ele está sem fé, em pecado ou desviando o dízimo para outros fins. Ora, se formos avaliar a vida uma pessoa pela casa onde mora ou pelo saldo bancário, teríamos que concluir muitos jogadores de futebol e artístas têm uma comunhão com Deus fora do comum.
Atualmente, as pessoas funcionam na base da emoção, e não da reflexão. Soma-se a isso, o apoio da mídia – instrumento que muitas igrejas neopentecostais sabem trabalhar muito bem. O que se vê é um progresso com a quantidade de pessoas convertidas ao Protestantismo, e no entanto o país parece regredir com casos de violência, guerras entre facções criminosas e corrupção. Que evangelho é esse que não afeta a sociedade?
E assim, milhares de pessoas se decepcionam com Deus, quando na verdade, a culpa é do próprio homem que tenta negociar o que é inegociável para Deus.
De acordo com o site relatoriobancario.com.br, uma igreja americana do Estado da Geórgia implantou caixas automáticos que aceitam o cartão de débito ou de crédito dos fiéis para pagamento de dízimos e ofertas. O pastor responsável disse quando precisou arrecadar dinheiro para construir um anexo, percebeu que os fiéis não carregavam dinheiro na carteira e sim um cartão de crédito. Parece que a moda pegou por aqui também.
A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) fez recentemente uma megacompra daquelas máquinas de passar cartões e foi instituído pelo bispo Macedo o dízimo eletrônico nos cultos. Claro, tudo isso para o nosso bem-estar e maior comodidade, quer dizer, de seus fiéis.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Orkut: bandido ou mocinho?


Quando o engenheiro de software Orkut Buyukkokten desenvolveu a rede social que leva seu nome, hoje considerado o maior banco de dados do mundo, talvez não pudesse prever o tamanho de sua criação. O Orkut é um fenômeno cultural, principalmente entre os brasileiros que correspondem a 55,59% do total de participantes. Tal popularidade tem contribuído para que a página de relacionamento vire palco de crimes cibernéticos e para a violação dos direitos humanos. Surgem nesse contexto, opiniões e pontos de vista diferentes sobre o site.

No orkut, é possível encontrar conhecidos e estranhos que têm acesso livre à sua página pessoal. Comunidades divertidas, mas também racistas, neonazistas e pornográficas. Uns se apaixonam, outros são difamados. Qualquer que seja sua intenção, a invasão de privacidade é inevitável. O caso da estudante paulista de Direito, que teve suas fotos fazendo sexo com dois rapazes veiculadas na internet, trouxe à tona essa discussão. Em sua página, ela recebeu mais de 10 mil recados ofensivos. Logo depois do ocorrido, o maior site de relacionamentos lança o visualizador de perfil (espécie de bina que permite o usuário ver as visitas recentes) e em contrapartida, cresce o número de perfis falsos e clonados.

Esse território sem lei atrai, cada vez mais, aqueles que usam o anonimato para incentivar ou praticar atos ilegais na rede. Crimes de ameaça, calúnia, difamação, uso de fotos de terceiros e montagens mal intencionadas entopem relatórios com denúncias feitos por organizações não-governamentais como a Safenet Brasil. Somam-se a esses problemas, comunidades do tipo ''Eu odeio judeus'', ''Eu sei dirigir bêbado'', ''Todo mundo fuma maconha'', ''Grafiteiros e Pixadores'' e outras tantas que envolvem sexo, pedofilia e racismo. Apesar de todos esses entraves, o orkut continua sendo um sucesso e, para alguns, uma ferramenta extraordinária.

Como meio de comunicação, o site não deixa a desejar. Uma das conseqüências boas que orkut trouxe é reencontrar amigos e parentes distantes na página on line. Foi o caso de Victor Nunes, 18 anos. ''Com o orkut, encontrei muitos amigos da escola que não tinha contato desde a 5ª série. Sempre que posso mando scraps (recados) pra galera''. Até de cupido o site ataca. Foi ele o responsável por unir Adry Santana, de São Paulo, e José Eduardo, de Santa Catarina. Depois de dois meses de namoro, resolveram arriscar. Hoje estão casados e possuem uma comunidade no orkut chamada ''Achei meu amor no orkut'' com 53 membros.

Proibido para menores
Milhões de crianças brasileiras acessam o site de relacionamentos orkut sem que os pais saibam que ele é um local preferencial para a ação de pedófilos no Brasil, revelou uma recente pesquisa da Safernet. ''É um site adulto. Está tudo nos termos e regras do Google e, no entanto, sabemos que muitas das vezes os pais não sabem disso'', disse Thiago Tavares, presidente da ONG. Como nenhum documento de identidade ou CPF é exigido no cadastro, é comum encontrar menores de idade que se declaram ter mais de 18 anos, e assim participam, trocam emails e informações pessoais na página.
A Safernet já recebeu 100.920 denúncias sobre o orkut, sendo 41.328 de pedofilia. Comunidades e perfis que incentivam esse tipo de crime vem aumentando cada vez mais.

O orkut como rede social impressiona, não pelo seu alcance, mas por ser um reflexo da sociedade. Ele funciona como uma vitrine de imagens, e a culpa por toda essa superexposição não é do Orkut, e sim de cada usuário que esquece de ler os regulamentos. Fala-se de invasão de privacidade, mas temos é uma evasão dela. Talvez esse seja o preço por querermos estar atualizados e na moda.